"Uma vaga noção de tudo, e um conhecimento de nada."
Charles Dickens (1812 - 1870) - Escritor Inglês

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Poesia a Qualquer Hora (210) - Pier Paolo Pasolini

A Recessão

Reveremos calças com remendos
vermelhos pores do sol sobre as aldeias
vazias de carros
cheias de pobre gente que terá voltado de Turim ou da Alemanha
Os velhos serão donos de suas muretas como poltronas de senadores
e as crianças saberão que a sopa é pouca e o que significa um pedaço de pão
E a noite será mais negra que o fim do mundo e de noite ouviremos os grilos ou os trovões
e talvez algum jovem entre aqueles poucos que voltaram ao ninho tirará pra fora um bandolim
O ar terá o sabor de trapos molhados
tudo estará longe
trens e ônibus passarão de vez em quando como num sonho
E cidades grandes como mundos estarão cheias de gente que vai a pé
com as roupas cinzas
e dentro dos olhos uma pergunta que não é de dinheiro mas é só de amor
somente de amor
As pequenas fábricas no mais belo de um prado verde
na curva de um rio
no coração de um velho bosque de carvalhos
desabarão um pouco por noite
Mureta por mureta
Teto em chapa por teto em chapa
E as antigas construções
serão como montanhas de pedra
sós e fechadas como eram uma vez
E a noite será mais negra que o fim do mundo
e de noite ouviremos os grilos e os trovões
O ar terá o sabor de trapos molhados
tudo estará longe
trens e ônibus passarão
de vez em quando como num sonho
E os bandidos terão a face de uma vez
Com os cabelos curtos no pescoço
e os olhos de suas mães cheios do negro das noites de lua
e estarão armados só de uma faca
O tamanco do cavalo tocará a terra leve como uma borboleta
e lembrará aquilo que foi o silêncio o mundo
e aquilo que será.

Pier Paolo Pasolini
[ Saiba + ]
(Tradução do poema: Mario S. Mieli)

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sutilezas Literárias # 052 - Sun Tzu

(...)
"Às vezes podes estar reduzido a não saber aonde ir, nem para que lado recorrer. Nesse caso, não te precipites. Espera tudo do tempo e das circunstâncias. Sê inquebrantável onde estiveres. Se te engajaste inadequadamente, evita fugir. A fuga causaria tua perda.

Perece em vez de recuar. Pelo menos, morrerás com bravura. Comanda com brio. Teu exército, acostumado a ignorar teus desígnios, ignora o perigo que o ameaça. Acreditará que tiveste tuas razões para agir como agiste, e combaterá com tanta disciplina e coragem como se estivesse longamente preparado para a batalha.


Se triunfares, a força, a coragem e a determinação de teus soldados redobrará. Tua reputação crescerá na mesma proporção do risco incorrido. Teu exército se acreditará invencível sob teu comando. Por mais crítica que seja a situação e as circunstâncias em que te encontrares, não te desesperes. Nas ocasiões em que tudo inspira temor, nada deves temer. Quando estiveres cercado de todos os perigos, não deves temer nenhum. Quando estiveres sem nenhum recurso, deves contar com todos.


Quando fores surpreendido, surpreende o inimigo. Instrui de tal forma tuas tropas que elas estejam prontas sem preparativos; que encontrem grandes vantagens onde não esperem encontrar; que, sem nenhuma ordem particular de tua parte, improvisem decisões a tomar; que, sem proibição expressa, se furtem a tudo que contraria a disciplina.

Impede que se espalhem boatos falsos, corta pela raiz queixas e murmúrios, não permitas que se façam augúrios sinistros baseados em algum evento extraordinário. Se os adivinhos e os astrólogos do exército predisseram boa fortuna, acata seu oráculo. Se falam de forma obscura, interpreta bem. Se hesitam ou não dizem coisas vantajosas, não lhes dês ouvidos, ordena que se calem." (...)

Sun Tzu, em "A Arte da Guerra" - Capítulo XI. 
Editora L&PM Pocket - Tradução: Sueli Barros Cassal

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Frase para a Semana

"O pior dos problemas 
da gente é que ninguém 
tem nada com isso. "
Mario Quintana
(Alegrete, 30 de julho de 1906 - Porto Alegre, 5 de maio de 1994). 
Quintana foi poeta, tradutor e jornalista brasileiro.

sábado, 29 de agosto de 2015

5 Links - # 142 >>>

Trilha Sonora (205) - Guns N´ Roses

Welcome to the Jungle
Guns N´ Roses
Compositores: Axl Rose e Slash
Welcome to the jungle
We got fun and games
We got everything you want
Honey, we know the names
We are the people that can find
Whatever you may need
If you got no money, honey
We got your disease

In the jungle, welcome to the jungle
Watch it bring you to your knees, knees
Oh, I wanna watch you bleed

Welcome to the jungle
We take it day by day
If you want it you're gonna bleed
But it's the price you pay
And you're a very sexy girl
That's very hard to please
You can taste the bright lights
But you won't get them for free

In the jungle, welcome to the jungle
Feel my, my, my, my serpentine
I, I wanna hear you scream

Welcome to the jungle
It gets worse here everyday
Ya learn to live like an animal
In the jungle where we play
If you got a hunger for what you see
You'll take it eventually
You can have anything you want
But you better not take it from me

In the jungle, welcome to the jungle
Watch it bring you to your knees, knees
Oh, I wanna watch you bleed

And when you're high, you never
Ever want to come down
So down, so down, so down, yeah!

You know where you are
You're in the jungle, baby
You're gonna die
In the jungle
Welcome to the jungle
Watch it bring you to your knees, knees
In the jungle
Welcome to the jungle
Feel my, my serpentine
In the jungle

Welcome to the jungle
Watch it bring you to your knees, knees
In the jungle
Welcome to the jungle
Watch it bring you to your
It's gonna bring you down
Ha!

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Poesia a Qualquer Hora (209) - Mia Couto

Espiral

No oculto do ventre,
o feto se explica como o Homem:
em si mesmo enrolado
para caber no que ainda vai ser.

Corpo ansiando ser barco,
água sonhando dormir,
colo em si mesmo encontrado.

Na espiral do feto,
o novelo do afecto
ensaia o seu primeiro infinito.

Mia Couto

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Tardinha, Noitinha, de Viviana de Assis Viana

Tardinha, noitinha
Viviana de Assis Viana

"— A gente já não pode mais se espantar com coisa nenhuma nesse mundo, compadre.

Na cozinha da fazenda, mesa de madeira, bancos também, chão de tijolos, fogão de lenha, paredes enfumaçadas, a cena se repetia, diariamente.

Diariamente, naquela hora lá chamada tardinha ou noitinha, hora que, na verdade, não é uma coisa nem outra, sendo as duas ao mesmo tempo, o Sebastião chegava.

Antes de atravessar um dos porões da construção antiga, entre o curral e o terreiro, e antes de subir os onze degraus da escada de pedra da cozinha, o Sebastião Garcia tossia. Bem alto.

— Preciso avisar que estou chegando, compadre. Assim, se alguém estiver conversando coisas que não posso ouvir, tem tempo de parar.

O compadre era meu pai, o patrão.

Os dois falavam do que conheciam: sol, lua, estrelas, chão, terra, mato, bicho, gente, água, chuva, raio, trovão, tempestade, enchente, cerração, geada, fumaça, fogo, incêndio, estrada, mata-burro, caminhão, jipe, trem, estação, trabalho.

Falavam também do que não conheciam, mas podiam imaginar: o mar, no Rio de Janeiro; as touradas, na Espanha; a Primeira Guerra Mundial, a Segunda; o Palácio do Catete, o da Alvorada.

As conversas dos dois, que todos podiam ouvir, esticando a tardinha, ou espichando-se pela noitinha, terminavam no tom resignado – quase filosófico – do empregado:

— Tá tudo muito difícil, compadre, mas, assim mesmo, tá bom. A gente tendo saúde, tá bom. O mundo revirou do avesso, a gente nem pode, mais, se espantar com o que acontece, mas tendo saúde, tá bom.

Se os dois não tivessem partido, sem volta, há muitos anos, em busca dos mares do Rio e das touradas de Madri, eu iria contar-lhes algumas histórias.

Se eu soubesse, se pudesse imaginar que mundos os dois habitam, em seus dias e noites eternos, eu lhes contaria algumas histórias destes nossos tempos de hoje. Deste nosso mundo, revirado pelo avesso. Cada vez mais.

Histórias corriqueiras, cotidianas, de gente que está na rua, esperando o ônibus: na calçada, conversando com um amigo; na fila do banco, na porta da escola, na entrada do hospital. No farol fechado.

Gente que, de repente, desaparece, silencia. Gente que, em um segundo, de repente, nunca mais.

Acho que os compadres se espantariam, sim."

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

:-) Leminski °.°


Frase para a Semana

Na dúvida, 
digam a verdade. "
Mark Twain
(Florida, Missouri, 30 de novembro de 1835 - 
Redding, Connecticut, 21 de abril de1910).
 Foi um escritor norte-americano. Autor de
 "As Aventuras de Tom Sawyer" (1876)
e "As Aventuras de Huckleberry Finn"(1885).

sábado, 22 de agosto de 2015

5 Links - # 141 >>>

Trilha Sonora (204) - Radiohead

Paranoid Android
Radiohead
Compositores: Colin Greenwood, Ed O'Brien,
Jonny Greenwood, Phil Selway e Thom Yorke.

Please could you stop the noise, I'm trying to get some rest
From all the unborn chicken voices in my head
What's that? (I may be paranoid, but not an android)
What's that? (I may be paranoid, but not an android)

When I am king, you will be first against the wall
With your opinion which is of no consequence at all
What's that? (I may be paranoid, but no android)
What's that? (I may be paranoid, but no android)

Ambition makes you look pretty ugly
Kicking and squealing gucci little piggy
You don't remember
You don't remember
Why don't you remember my name?
Off with his head, man
Off with his head, man
Why don't you remember my name?
I guess he does


Rain down, rain down
Come on rain down on me
From a great high
From a great high, high
Rain down, rain down
Come on rain down on me
From a great high
From a great high, high
Rain down, rain down
Come on rain down on me

That's it, sir
You're leaving
The crackle of pigskin
The dust and the screaming
The yuppies networking
The panic, the vomit
The panic, the vomit
God loves his children, God loves his children, yeah

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Poesia a Qualquer Hora (208) - Nicholas Behr

Cometa poesia

 era uma noite qualquer 
de julho de 1967
 mamãe nos acordou
 de madrugada
 para vermos o cometa ikeia-seki 
( ela sabia que nós nunca o esqueceríamos ) 
o cometa seguiu seu curso
 nós voltamos pra cama
 caixeiro-viajante do céu 
o cometa aparece e desaparece
 o cometa volta
 a infância, não.

Nicholas Behr

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Texto para Reflexão: A Crise vem aí...

 A CRISE VEM AÍ 


"Um homem vivia à beira de uma estrada e vendia cachorro quente.

Ele não tinha rádio, não tinha televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia o melhor cachorro quente da região.

Ele se preocupava com a divulgação do seu negócio e colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava e gostava.

As vendas foram aumentando, e cada vez mais ele comprava o melhor pão e a melhor salsicha.

Foi necessário também adquirir um fogão maior, para atender a grande quantidade de fregueses.

E o negócio prosperava e prosperava…

Seu cachorro quente era o melhor!


Vencedor, ele conseguiu pagar uma boa escola ao filho.

O menino cresceu e foi estudar Economia numa das melhores faculdades do país.

Finalmente, o filho já formado, voltou para casa e notou que o pai continuava com a vida de sempre, vendendo, agradando e prosperando. Ele teve então, uma séria conversa com o pai:

– Pai, então você não ouve radio? Você não vê televisão? Não lê os jornais?

– Há uma grande crise no mundo. A situação do nosso país é crítica. Está tudo ruim. Os Estados Unidos vai quebrar.

Depois de ouvir as considerações do filho Doutor, o pai pensou: Bem, se meu filho que estudou economia na melhor Faculdade, lê jornais, vê televisão e acha isto, então ele só pode estar com a razão!

Com medo da crise, o pai procurou um Fornecedor de pão mais barato ( e é claro, pior ).

Começou a comprar salsichas mais baratas ( que eram também, piores ).

Para economizar, parou de fazer cartazes de propaganda na estrada.

Abatido pela noticia da crise já não oferecia o seu produto em voz alta.

Tomadas essas “providências” as vendas começaram a cair e foram caindo, caindo e chegaram a níveis insuportáveis. O negócio de cachorro quente, que antes gerava recursos até para fazer o filho estudar economia na melhor faculdade…, quebrou.

O pai, triste, então falou para o filho:

– Você estava certo, meu filho. Nós estamos no meio de uma grande crise.

Comentou com os amigos, orgulhoso:

– Bendita à hora em que eu fiz meu filho estudar economia, ele me avisou da crise…’

-Em outra esquina um vendedor de cachorro quente concorrente começou a aumentar enormemente sua clientela..."


Autor desconhecido

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Cena de Cinema # 188 - O Leitor

(O Leitor - 2008) +

Imagens da Vez: A Arte de Dina Brodsky

A bielorussa Dina Brodsky é apaixonada por pinturas e ciclismo, e teve a ideia de juntar as duas coisas em um projeto encantador, que ela apelidou de “Cycling Guide to Lilliput”. No seu projeto, Dina faz pequenas pinturas à óleo das paisagens por onde passa com sua bicicleta.  






(°> Veja Mais: Dina Brodsky >>>

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Frase para a Semana

"A revolta vem não quando 
tudo vai mal, mas quando 
um período de progresso, 
durante o qual as expectativas
 crescem muito, é 
bruscamente interrompido."
Alexis de Tocqueville
(Paris, 29 de julho de 1805 - Cannes,16 de abril de 1859)
Foi um pensador político, historiador e escritor francês.

domingo, 16 de agosto de 2015

Quadro de Medalhas Final do Parapan - Toronto 2015

Os Jogos Parapan-Americanos de 2015, foi a quinta edição.
Realizado de 7 a 15 de agosto de 2015, na cidade canadense de 
Toronto. Os jogos terminaram com total domínio dos atletas
 brasileiros,  onde conquistaram 109 medalhas de ouro, mais do
 que o dobro dos anfitriões canadenses que terminaram em 
segundo lugar. Os EUA terminaram em terceiro lugar.

Curta de Animação: O Farol

O autor desta animação é o diretor Po Chou Chi,  
natural de Taiwan, radicado em Los Angeles. Ele produziu o
 curta "Lighthouse" ("Farol") cheio de sutilezas e simbolismos. 
O filme trata delicadamente da relação entre pai e filho, 
do crescimento, de amor e do respeito.

A animação ganhou 27 prêmios internacionais.