"Uma vaga noção de tudo, e um conhecimento de nada."
Charles Dickens (1812 - 1870) - Escritor Inglês

sábado, 15 de dezembro de 2012

Dica de Leitura: A Culpa é das Estrelas



A Culpa é das Estrelas

John Green

286 páginas 
Editora Intrínseca
Tradução de: Renata Pettengill


Por que nascemos para amar, se
 vamos morrer? Por que morrer, se
 amamos? Por que falta sentido ao sentido
 de viver, amar, morrer ? "
Carlos Drummond de Andrade 


O autor, conta-nos a história de Hazel Grace, uma paciente de 16 anos que
 tem câncer terminal desde os 13. A história se passa em Indianápolis, nos EUA. 
Os médicos conseguem prolongar sua vida, tratando-a com vários remédios. 
No Grupo de Apoio a Crianças com Câncer, ela conhece um “garoto bonito”,
 Augustus Waters de 17 anos, que também já teve câncer. Hazel se apaixona por
 ele, e com ele viverá momentos alegres, inesquecíveis, dolorosos e amargos.

 Hazel, é uma personagem encantadora, sensível, divertida e inteligente, e sabe 
que essa sua maligna doença não tem cura. Hazel é consciente que não viverá 
muito, ela pensa muito na morte, mas não fica esperando a ‘ceifadora de vidas’ 
chegar. Ela aproveita ao máximo e como pode para se divertir, ler, estudar, 
namorar e passear, mesmo com as dificuldades que essa doença lhe impõe. 

Hazel, uma leitora voraz, tem um livro preferido, que ela lê sempre, trata-se de
“Uma Aflição Imperial”, de Peter van Houten, em que uma menina (Anna), com 
câncer leva uma vida normal, até que o livro termina no meio de uma frase. 
Ela se identifica muito com o livro, e a forma como Houten narra a história
 de Anna. Hazel, apresenta esse seu livro favorito à Augustus, e inconformados
 com a falta de um final, eles vão em busca de respostas do autor para que
 este, lhes dê esclarecimentos sobre a história do livro.
 E nesse mesmo tempo em que buscam respostas para o livro, eles procuram
 agregar o amor que sentem, através das limitações que a doença lhes ocasiona. 

Waters, também gosta muito de livros, seu preferido é a série 
"O Preço do Alvorecer", baseado em um jogo de videogame, outra
 paixão de Waters, além de gostar de música. Ele sempre
irá em busca da felicidade, e na esperança de viver sempre mais,
ao lado de Hazel, e fazer o possível para vê-la feliz e ajudá-la
a realizar seus sonhos.

Trecho:
"Meu livro favorito era, de longe, “Uma aflição imperial”, mas eu não gostava 
de falar dele. Às vezes, um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você 
se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a 
menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam. E aí tem livros como 
“Uma aflição imperial”, do qual você não consegue falar – livros tão especiais e 
raros e seus que fazer propaganda da sua adoração por eles parece traição.” 

O livro “Uma Aflição Imperial”, permeia a obra, e tem participação fundamental
 no enredo, e através de, e por ele, que muitas coisas acontecem nesse romance,
 de “ A Culpa é das Estrelas.” 

O romance  é emocionante, muito emocionante. O livro de John
 Green é ambicioso e corajoso, com uma história triste e melancólica, mas 
incrivelmente bela e tocante. O autor possui uma narrativa brilhante, 
doce e por vezes filosófica. 

Na capa do livro, Markus Zuzak, o autor de outro livro inesquecível,
 “A Menina Que Roubava Livros”, escreveu: 
Você vai rir, vai chorar e ainda vai querer mais.”
 E, é isso, exatamente o que acontece. 
*
Realmente a culpa é das estrelas, e não podemos fazer nada, infelizmente. 
*
John Michael Green (24 de agosto de 1977), nasceu em Indianápolis,
 Indiana, EUA). Seu primeiro livro traduzido para o português, foi
 “Quem é Você, Alaska” (2005), pela editora WMF Martins Fontes.
 É autor best-seller do The New York Times, premiado com a Printz Medal
 e o Printz Honor da American Library Association e com o Edgar Award,
 e foi duas vezes finalista do prêmio literário do LA Times
Além de escritor, Green possui junto com o irmão, Hank, um canal no 
youtube: “vlogbrothers”. Ele mora com a mulher e o filho em Indianápolis. 

“Alguns infinitos são maiores que outros.” 
John Green 

Recomendo a leitura deste livro. Esta história, com certeza vai ficar
 por  muito tempo em minha cabeça. É daqueles livros inspiradores e 
inesquecíveis. Verdadeiramente, uma história de amor. 
Fica a dica!

Trilha Sonora (072) - Radiohead

Fake Plastic Trees
Radiohead
Compositores: Thom Yorke e Jonny Greenwood
A green plastic watering can 

For a fake chinese rubber plant

In the fake plastic earth 

That she bought from a rubber man
In a town full of rubber plans
To get rid of itself

It wears her out, it wears her out
It wears her out, it wears her out 

She lives with a broken man 
A cracked polystyrene man
Who just crumbles and burns 

He used to do surgery 
For girls in the eighties 
But gravity always wins 

And it wears him out, it wears him out
It wears him out, it wears him out

She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My fake plastic love

But I can't help the feeling 
I could blow through the ceiling
If I just turn and run 

And it wears me out, it wears me out
It wears me out, it wears me out 

And if I could be who you wanted
If I could be who you wanted 
All the time, all the time

>>> Tradução da Letra: AQUI

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Poesia a Qualquer Hora (76) - Joaquim Cardoso


Aquarela

Macaíbeiras chovendo
Cheiro de flor amarela;
Cheiro de chão que amanhece.
Estavas sob a latada
Quando te abri a janela.

Cheiro de jasmim laranja
Pelos jardins anoitece;
Junto a papoulas dobradas,
Num canteiro florescendo,
A tua saia singela.

Macaíbeiras chovendo
Cheiro de flor amarela...

Não sei se és tu, se eras outra,
Não sei se és esta ou aquela,
A que não quis nem me quer,
Fugindo sob a latada
Nessa tarde de aquarela.

Macaíbeiras chovendo
Cheiro de flor amarela...

Joaquim Cardoso

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Corinthians e Chelsea na Final da Copa do Mundo de Clubes

Corinthians e Chelsea decidirão no próximo domingo, dia 16, o título da 
Copa do Mundo de Clubes da Fifa. Corinthians chegou à final após vencer
 o Al Ahly, do Egito por 1x0. Já o Chelsesa não tomou conhecimento do 
Monterrey do México e venceu fácil por 3x1. Corinthians, terá uma pedreira 
pela frente, vai ter que jogar muito para ser campeão,  o título pode ser difícil, 
mas não é impossível.

São Paulo é o campeão da Copa Sul-Americana 2012

O São Paulo venceu ontem o Tigre da Argentina por 2x0, gols de Lucas e 
Osvaldo, e sagrou-se campeão da Copa Sul-Americana. O jogo foi de um 
tempo só. Acabado o primeiro tempo, jogadores do Tigre se envolveram em 
confusões e agressões com jogadores são-paulinos, depois foram para os 
vestiários, onde houve uma confusão generalizada entre o jogadores visitantes, 
seguranças e policiais, e não voltaram para o segundo tempo, sendo assim, 
o árbitro encerrou a partida, e o São Paulo conquistou o título inédito da 
competição sul-americana. A verdade é que, o time argentino "pipocou", eles
 não ganham na bola, querem ganhar na porrada, típico de times argentinos. 
Ontem foi o último jogo do meia-atacante Lucas, que irá jogar no Paris 
Saint-Germain, da França, em 2013. Nunca tinha visto isso em uma 
competição oficial e internacional, um time abandonar o campo de jogo.

Tabela à partir das quartas de final - Tabela completa: AQUI. <<<<

Centenário de Nascimento de Luís Gonzaga

Hoje, 100 anos do nascimento de Luis Gonzaga, 
conhecido como Gonzagão, o Rei do Baião.
Compositor popular, Gonzaga nasceu em Exu,
 no interior pernambucano, no sertão nordestino.
Foi uma das mais completas, importantes e inventivas figuras da música 
popular brasileira. Cantando acompanhado de sua sanfona, zabumba e triângulo,
levou a alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como a 
pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra, o sertão nordestino,
para o resto do país, numa época em que a maioria das pessoas desconhecia 
o baião, o xote e o xaxado. Admirado por grandes músicos, como Dorival 
Caymmi, Gilberto Gil, Raul Seixas,Caetano Veloso, entre outros, o genial 
instrumentista e sofisticado inventor de melodia e harmonias, ganhou
notoriedade com as antológicas canções "Baião" (1946),
"Asa Branca" (1947), "Siridó" (1948), "Juazeiro" (1948), 
"Qui Nem Jiló" (1949) e "Baião de Dois" (1950). Faleceu no dia 2 de
agosto de 1989, deixando 56 discos e mais de 500 canções.
Fonte: Wikipédia. [clique e saiba mais]

Este ano foi lançado nos cinemas o
com direção de Breno Silveira.
Baseada em conversas realizadas entre
pai e filho, essa é a história do cantor e
sanfoneiro Luiz Gonzaga, e de 
seu filho, popularmente chamado de 
Gonzaguinha.

Trailer do filme:
Luiz Gonzaga do Nascimento
(Exu, 13 de dezembro de 1912 — Recife, 2 de agosto de 1989)
********
O Google homenageou Gonzagão, com seus tradicionais Doodles:

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Personagem da Vez: Cacá Bueno


Frase para a Semana

" Coragem é resistência ao medo, 
domínio do medo, e não 
ausência de medo."
Mark Twain
(Florida, Missouri, 30 de novembro de 1835 - 
Redding, Connecticut, 21 de abril de1910).
 Foi um escritor norte-americano. Autor de
 "As Aventuras de Tom Sawyer" (1876)
e "As Aventuras de Huckleberry Finn"(1885).

domingo, 9 de dezembro de 2012

Cacá Bueno é pentacampeão da Stock Car Brasil

O piloto da equipe Red Bull Racing, Cacá Bueno conquistou o penta
campeonato da Stock Car, na última corrida de hoje em Interlagos. 
Na Corrida de Um Milhão da Stock Car, Cacá largou na pole e chegou
em terceiro lugar, o que lhe garantiu o título. Thiago Camilo da 
equipe RCM Motorsport, venceu a corrida, e levou a bolada de 
1 milhão de reais. Na última volta, Cacá liderava a corrida, mas a
 poucos metros do fim, seu carro ficou sem combustível, o que permitiu a 
ultrapassagem de Thiago e Ricardo Maurício da equipe Eurofarma RC, 
que chegou em segundo.
O piloto da Red Bull perdeu um milhão em menos de 400 metros da linha
de chegada. Mas se tornou o segundo maior vencedor na história da 
categoria, atrás de Ingo Hoffman, com 12 títulos,o maior vencedor. 
Esse ano foi a 34ª temporada da categoria.
A edição deste ano da Corrida do Milhão teve a participação de 
três convidados ilustres, pilotos de grande destaque do automobilismo
brasileiro, que disputaram neste ano a Fórmula Indy e fizeram uma
participação especial neste domingo na Stock Car. Tony Kanaan 
sofreu um acidente logo no começo e foi obrigado a abandonar,
enquanto Rubens Barrichello foi o 22º colocado e 
Hélio Castroneves terminou em 14º lugar.

Os 11 Últimos Campeões:
2012 - Cacá Bueno
2011 - Cacá Bueno
2010 - Max Wilson
2009 - Cacá Bueno
2008 - Ricardo Maurício
2007 - Cacá Bueno
2006 - Cacá Bueno
2005 - Giuliano Losacco
2004- Giuliano Losacco
2003 - David Muffato
2002 - Ingo Hoffman
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[ Saiba +: Globo. ]

031 - Palavras da Bíblia...

...Glória a Deus!

sábado, 8 de dezembro de 2012

Trilha Sonora (071) - Oasis

Wonderwall
Oasis
Compositor: Noel Gallagher

Today is gonna be the day 
That they're gonna throw it back to you 
By now you should've somehow 
Realized what you gotta do 
I don't believe that anybody 
Feels the way I do 
About you now 

Backbeat the word is on the street 
That the fire in your heart is out 
I'm sure you've heard it all before 
But you never really had a doubt 
I don't believe that anybody 
Feels the way I do 
about you now 

And all the roads we have to walk are winding 
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I'd 
Like to say to you 
But I don't know how 

Because maybe 
You're gonna be the one that saves me 
And after all 
You're my wonderwall 

Today was gonna be the day 
But they'll never throw it back to you 
By now you should've somehow 
Realized what you're not to do 
I don't believe that anybody 
Feels the way I do 
About you now 

And all the roads that lead you there were winding 
And all the lights that light the way are blinding 
There are many things that I'd like to say to you 
But I don't know how 

I said maybe 
You're gonna be the one that saves me 
And after all 
You're my wonderwall 

I said maybe (I said maybe) 
You're gonna be the one that saves me 
And after all 
You're my wonderwall 

I said maybe (I said maybe) 

You're gonna be the one that saves me (that saves me)3x

Tradução da Letra: AQUI.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Poesia a Qualquer Hora (75) - Paulo Nascimento Moraes


Saudade


A saudade é uma mistura 
De maldade e querer-bem...
 É como a cor dos teus olhos
 Que olharam os olhos de alguém!... 

 Menina toda de preto, 
 Na viuvez da saudade, 
 É como um sol no poente
 Fugindo da claridade! 

 Saudade, triste mensagem
 Com a contrição de uma prece!
 Marca a dor que a gente sente, 
 Vive o amor que a gente esquece!

 A saudade é coisa amarga 
 (E só se prova uma vez!...) 
 Deixando dentro da gente 
 o travo da viuvez!



Paulo Nascimento Moraes
[Saiba +]

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Veja o bom exemplo de uma escola de Tupaciguara

A Escola Estadual Clertan Moreira do Vale de Tupaciguara, adotou algumas
fórmulas para estimular o aprendizado dos alunos. Veja o vídeo, produzido
pelo Telejornal MG TV da TV Integração, filiada da Rede Globo, em Uberlândia.
A reportagem de Leandro Moreira.

Veja o vídeo, neste link: >>> CLIQUE AQUI. <<<

Sul-Americana: São Paulo empata com Tigre

Pelo primeiro jogo da final da Copa Sul-americana, o São Paulo empatou
 com o Tigre, no Estádio da La Bombonera, em Bueno Aires, por 0x0. 
Na próxima quarta(12/12), o time paulista só precisa de uma
vitória simples para sagrar-se campeão. Pra variar,  o atacante,Luís Fabiano 
foi expulso no jogo de ontem, e não jogará a final, no Morumbi. 

Brasil perde um dos maiores nomes da Arquitetura: Oscar Niemeyer

O arquiteto Oscar Niemeyer morreu ontem (05/12), no Rio de Janeiro
 aos 104 anos. Ele estava internado desde 3 de novembro passado, por 
causa de uma infecção urinária, e com uma infecção respiratória, ele 
respirava com ajuda de aparelhos.  

O arquiteto foi pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e 
plásticas do concreto armado, e por esse motivo teve grande fama 
nacional e internacional desde a década de 1940.

Niemeyer é sem dúvida um dos maiores nomes da arquitetura moderna,
 um dos brasileiros mais conhecidos, reconhecidos e respeitados no mundo. 
Oscar será lembrado e aclamado por várias gerações, com o seu exemplo 
de profissional e cidadão brasileiro. Um verdadeiro artista.
Descanse em paz !

__ "Se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz
 o concreto buscar o infinito".
__ "A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem".
__ "Existem apenas dois segredos para manter a lucidez na minha idade:
o primeiro é manter a memória em dia. O segundo eu não me lembro".

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares
( Rio de Janeiro,  15 de dezembro de 1907  -  R.J.,  05 de dezembro de 2012)
___________________________
>>> Saiba +: Wikipédia /  UOL Notícias. <<<

Sutilezas Literárias # 022 - Chico Buarque

(...) 
"E a caminho do hotel tive minha primeira e peripatética aula de 
húngaro, que consistiu em ela dar nome às coisas que eu 
apontava: rua, patins, gota d'água, poça, noite, pizzaria, discoteca,
bar, galeria, vitrine, roupa, fotografia, esquina, mercado, bombom, 
tabacaria, arco bizantino, balcão art nouveau, fachada neoclássica, 
estátua, praça, ponte pênsil, rio, verde-musgo, ladeira, portaria, 
lobby, cafeteria, água mineral e Kriska. 
Vinha Kriska toda falante, os passos dos patins retinindo na calçada,
os lampejos de letreiros e faróis na cara, mas nem bem nos sentamos 
 luz chapada da cafeteria do hotel, acendeu um cigarro e emudeceu. 
Pudera, aquele era um recinto tão vazio e despojado que depois 
de apontar as paredes lisas, a mesa de vidro, a cadeira de 
metal, o garçom de branco, a garrafa, o copo, o cinzeiro, o isqueiro, 
fogo e o cigarro de marca Fecske, sendo fecske a andorinha 
impressa no maço, fiquei sem assunto para puxar. E uma boa 
meia hora permanecemos assim, olhando as cinzas no cinzeiro, 
porque eu não tinha como apontar as coisas que me passavam pela 
cabeça, minha mulher em Londres, as meninas de patins em Ipanema, 
a risada fina do meu sócio, o olho azul do meu cliente sem pestanas, 
o homem que escrevia em mulheres, os escritores anônimos em 
Istambul, as meninas de patins em Ipanema, minha mulher
em Londres. Mas duas pessoas não se equilibram muito tempo 
lado a lado, cada qual com seu silêncio; um dos silêncios acaba 
sugando o outro, e foi quando me voltei para ela, que de mim não se
 apercebia. Segui observando seu silêncio, decerto mais profundo 
que o meu, e de algum modo mais silencioso. E assim permanecemos 
outra meia hora, ela dentro de si e eu imerso no silêncio dela, tentando
 ler seus pensamentos depressa, antes que virassem palavras húngaras. 
Aí ela se sacudiu inteira, como num calafrio, fazendo a mochila
escorregar pelas costas, e buscou um cartão de visita, que rabiscou a 
lápis e me entregou. E levantou-se e foi-se embora sem se despedir, 
deslizando de patins no tapete. Acho que me apeguei àquele silêncio,
 e a fim de prolongá-lo me recolhi ao quarto, onde passei o resto da noite 
olhando para o teto. Tive um pouco de fome, mas não liguei para a copa, 
na Vanda também pensei um pouco, mas não liguei para Londres. 
Ao ouvir os sinos da manhã, as portas batendo, bandejas tombando, 
vidros se espatifando e camareiras discutindo no corredor peguei 
no sono. E dormi doze horas de um sono só, porque agora eu tinha 
um pensamento simples. O meu pensamento era um cartão de 
visita na mesa-de-cabeceira, impresso com o nome dela, 
Fülemüle Krisztina, e o endereço, Tóth utca, 84,17, Ujpest, mais a 
anotação do horário das aulas, 20h00 — 22h00, e de uma quantia, 
forintes 3000, que como diária me pareceu razoável. Com grande 
antecedência tomei um táxi, que me deixou na rua Toth, 84, em 
vinte minutos. Deixei passar outros quarenta, parado em frente 
ao portão elétrico, para me anunciar no interfone: José Costa. 
Era uma vila de casas geminadas, e Kriska me aguardava na 
soleira do número sem os patins, ela era quase pequena e menos 
menina. Falou Zsoze Kósta... Zsoze Kósta... me olhando de alto a 
baixo, como se meu nome fosse um traje inadequado. 
Deixei que falasse Zsoze Kósta até se habituar e não corrigi sua 
pronúncia, muito menos caçoei de Kriska, antes, dei-lhe razão e 
passei a me conhecer por Zsoze Kósta em Budapeste. Logo ela 
abandonaria o Zsoze e me chamaria de Kósta, julgando ser esse 
meu nome de batismo, que para os húngaros sucede ao sobrenome. 
E se fazia chamar de Kriska, como todas as Cristinas húngaras, 
Kriska e nada mais. Penso que cedo dispensamos certas
 formalidades por eu visitá-la no começo da noite, pegando-as
 descompostas, ela e a casa. Muitas vezes, para nos abrir espaço
na mesa de estudos, ela amontoava no canto oposto a toalha
 e as louças do jantar recém-terminado. Também às pressas 
prendia os cabelos com um elástico no alto da cabeça, e assim 
como alguns fios lhe caíam no rosto, pela mesa sempre 
sobravam umas migalhas. Sem falar que dia sim, dia não, 
o filho dela rondava por ali, mexia nas coisas, ria da minha cara,
 não sossegava enquanto Kriska não o despachasse para a cama. 
Divertia-se, Pisti, ao ver um homem grande olhando figuras em 
álbuns coloridos, um homem gago aprendendo a falar guarda-chuva, 
gaiola, orelha, bicicleta. Kêrekport, kêrekpart, kerékpár, mil vezes Kriska 
me fazia repetir cada palavra, sílaba a sílaba, porém meu empenho em
 imitá-la resultava quando muito num linguajar feminino, não húngaro. 
E era escusado ela perder a paciência, morder a língua, derramar o 
café, acender cigarros pelo filtro,eu tinha autocrítica; nos primeiros 
dias estive mesmo persuadido de que, além de voltar a fumar, nada 
assimilaria de suas lições. As aulas me exauriam, ao cabo de duas
 horas minha testa latejava, mas nem por isso eu tinha vontade 
de voltar para o hotel. Kriska também não me apressava; depois de 
guardar os álbuns na mochila, costumava me servir uma taça de licor 
de damasco e tratava das tarefas domésticas como se eu não existisse,
 ou fosse dacasa, o que dá no mesmo. Levava os pratos para a cozinha, 
acionava a lava-louças, batia a toalha na janela, circulava pela sala 
com a cabeça torta, o telefone sem fio prensado contra o ombro. 
Enchia minha taça sem me olhar, ligava o som baixinho, ia cobrir 
o filho e voltava cantando, fechava as venezianas e cantava, ajeitava 
o cabelo e cantava. Desconfio que o tempo inteiro estava se
 mostrando, como nos álbuns me mostrava estrelas e cavalos, mas 
olhando Kriska em movimento eu aprendia mais. 
Para ajustar o ouvido ao novo idioma, era preciso renegar todos 
os outros. Segui a recomendação de Kriska, exceto por meia 
dúzia de palavras em inglês, sem as quais não teria 
roupa lavada nem um prato de sopa no quarto do hotel".


(...)

Chico Buarque, em Budapeste.
Editora Companhia das Letras

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Cena de Cinema #061

(Juventude Transviada - 1955) +

Imagens da Vez


O fotógrafo russo Andrey Pavlov, fotografa formigas, criando
 cenários interessantes, legais e curiosos. 
 As imagens ficaram incrivelmente espetaculares!

Veja mais destas imagens: CLIQUE AQUI. <<<<