"Uma vaga noção de tudo, e um conhecimento de nada."
Charles Dickens (1812 - 1870) - Escritor Inglês

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Frase para a Semana

“O problema do mundo de
 hoje é que as pessoas 
inteligentes estão cheias de 
dúvidas, e as pessoas idiotas
 estão cheias de certezas.”
Bertrand Russell
(Ravenscroft, País de Gales, 18 de Maio de 1872 
 Penrhyndeudraeth, País de Gales, 2 de Fevereiro de 1970)
 Foi um dos mais influentes matemáticos, filósofos 
e lógicos que viveram no século XX.


sábado, 10 de dezembro de 2016

5 Links - # 209 >>>

Trilha Sonora (266) - Engenheiros do Hawaii

Ninguém = Ninguém
Engenheiros do Hawaii
Compositor: Humberto Gessinger
Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
Ninguém é igual a ninguém
Me espanta que tanta gente sinta
(Se é que sente) A mesma indiferença

Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há palavras que nunca são ditas
Há muitas vozes repetindo a mesma frase:
Ninguém é igual a ninguém
Me espanta que tanta gente minta
(Descaradamente) a mesma mentira

Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais

Há pouca água e muita sede
Uma represa, um apartheid
(A vida seca, os olhos úmidos)

Entre duas pessoas
Entre quatro paredes
Tudo fica claro
Ninguém fica indiferente
Ninguém é igual a ninguém
Me assusta que justamente agora
Todo mundo (tanta gente) tenha ido embora

Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais, mas uns mais iguais, mas uns mais iguais
Que os outros

O que me encanta é que tanta gente
Sinta (se é que sente) ou
Minta (desesperadamente)
Da mesma forma

Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Todos iguais, todos iguais
Mas uns mais iguais que os outros
Todos iguais, todos iguais
Todos iguais, todos iguais

Tão desiguais, tão desiguais
Tão desiguais, tão desiguais
Todos iguais, todos iguais

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Conhece a si mesmo...


Sutilezas Literárias # 057 - John Steinbeck

(...) Diante do Palace, havia um tronco grande, em que Mack e os rapazes estavam sentados, aproveitando o sol da manhã, Olhavam lá para baixo, na direção do laboratório Doc disse:

— Olhe só para eles. Acho que são os verdadeiros filósofos. Mack e os rapazes sabem tudo o que já aconteceu no mundo e provavelmente tudo o que acontecera. Creio que sobrevivem neste mundo em particular melhor do que as outras pessoas. Mostram-se relaxados numa época em que as pessoas se consomem de ambição, nervosismo e cobiça. Todos os nossos homens supostamente bem sucedidos são doentes, com estômagos ruins e almas piores. Mas Mack e os rapazes são saudáveis e extremamente puros. Podem fazer tudo o que querem. Podem satisfazer seus apetites sem os chamarem de qualquer outra coisa.

O discurso deixou a garganta de Doc tão ressequida que ele esvaziou toda a cerveja que tinha no copo. Sacudiu dois dedos no ar e sorriu, comentando:

— Não há nada como o primeiro gosto de cerveja Richard Frost declarou:

— Acho que eles são iguais a todos os demais. A única diferença é que não têm dinheiro.

— Mas poderiam ter. Sempre poderiam estragar suas vidas para ganhar dinheiro. Mack possui qualidades de gênio. São todos muito espertos, quando querem alguma coisa. Mas conhecem bem demais a natureza das coisas para querê-las desesperadamente.
Se Doc soubesse da tristeza imensa de Mack e dos rapazes não teria feito a declaração seguinte. Mas ninguém lhe falara da pressão social que estava sendo exercida contra os moradores do Palace.

Ele despejou cerveja em seu copo lentamente, enquanto falava:

— Acho que posso dar-lhe uma prova do que estou dizendo. Está vendo como eles estão sentados de frente para cá? Dentro de meia hora, a Parada do Quatro de Julho vai passar pela Lighthouse Avenue. Basta virarem a cabeça para poderem ver. Se levantarem, poderão assistir tudo. E se andarem dois quarteirões não muito grandes, poderão ficar à beira da rua por onde a Parada vai passar. Mas aposto quantas cervejas você quiser que eles nem mesmo vão virar a cabeça.

— Se eles não virarem, o que isso vai provar? — indagou Richard Frost.

— O que vai provar? Ora, simplesmente que eles sabem o que há no desfile. Saberão que o prefeito virá na frente, num automóvel, com faixas no capo. Depois, virá Long Bob, em seu cavalo branco, carregando a bandeira. Em seguida teremos o conselho municipal e duas companhias de soldados do Presídio, os membros de diversas organizações, como os Elks com seus guarda-chuvas roxos, os Knights Templar maçons, com penas brancas de avestruz e espadas, os Knights of Columbus católicos, com penas vermelhas de avestruz e espadas, Mack e os rapazes já sabem de tudo. A banda estará tocando. Eles já viram tudo. Não precisam olhar novamente.

— Não existe o homem que seja capaz de resistir a uma parada — afirmou Richard Frost.

— Quer dizer que aposta?

— Aposto.

Sempre me pareceu muito estranho. As coisas que admiramos nos homens, bondade e generosidade, franqueza, honestidade, compreensão e sentimento são os elementos do fracasso em nosso sistema. E as características que detestamos, astúcia, ganância, cobiça, mesquinharia e egoísmo; são os fatores do sucesso. Enquanto os homens admiram as qualidades que citei, adoram o resultado das outras características.

— Quem vai querer ser bom, se também está com fome?

— Não se trata de uma questão de fome. É algo muito diferente. A venda da alma para se conquistar o mundo é completamente voluntária e quase unânime, mas não totalmente. Por toda parte, no mundo inteiro, existem pessoas como Mack e os rapazes. Já as encontrei vendendo sorvete no México e em Aleut, no Alasca. Sabe que Mack e os rapazes queriam me oferecer uma festa e algo saiu errado. Mas a intenção deles era a de me darem uma festa. Foi o impulso que os motivou. Ei, não é a banda que está tocando?

Doc tornou a despejar cerveja nos copos e os dois se aproximaram da janela.(...)

John Steinbeck, em "A Rua das Ilusões Perdidas" - Editora Rio Gráfica - 
Tradução de: A.B. Pinheiro de Lemos

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Grêmio é o Campeão da Copa do Brasil 2016

O Grêmio é o campeão da Copa do Brasil 2016. Depois de 
empatar em 1x1 com o Atlético-MG, hoje em Porto Alegre. 
Como havia ganhado o jogo de ida por 3x1, em Belo Horizonte,
 o time gaúcho conquistou seu 5.º título na competição.

::: Tabela à partir das Oitavas de Final :::

Cena de Cinema # 252 - O Regresso

(O Regresso - 2015) +

José Luis Peixoto vence o Prêmio Literário 'Oceanos 2016'


O Escritor português José Luís Peixoto foi anunciado, nesta terça-feira (6), ganhador do Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa, antigo Prêmio Portugal Telecom. Pelo romance "Galveias" (Companhia das Letras), o autor levou R$100 mil. A cerimônia de entrega aconteceu no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo.

O título da obra vencedora é extraído do nome da aldeia natal de Peixoto, na região do Alentejo, em Portugal. Em nota, a organização descreve o texto como "um mergulho no Portugal profundo, rural, com uma narrativa que alinha personagens emblemáticos desse universo arcaico a partir de um evento (a queda de um meteorito em Galveias) que deflagra a narrativa e, simbolicamente, confere um sentido cósmico a essa comunidade que se extingue entre rústica violência, desolação, melancolia e choque com a modernidade".

Em segundo lugar no Oceanos 2016, ficou Julián Fuks, com o romance "A resistência" (Companhia das Letras), que rendeu R$ 60 mil ao autor. Depois, vieram Ana Martins Marques, com o volume de poesias "O livro das semelhanças" (Companhia das Letras), que ganhou R$ 40 mil, e Arthur Dapieve, com a coletânea de contos "Maracanazo e outras histórias" (Alfaguara), que ganhou R$ 30 mil.

Os vencedores passaram por três etapas desde as inscrições, incluindo fase semifinal com 50 obras selecionadas e fase final, com dez. Além dos quatro ganhadores, os finalistas foram os brasileiros Marcelo Rubens Paiva, Eucanaã Ferraz, Antonio Carlos Viana, Marcos Siscar, Nuno Ramos e o português Gonçalo M. Tavares.

O júri da fase final foi formado pela professora e ensaísta Beatriz Resende, pelos escritores Cristovão Tezza, José Castello e Rodrigo Lacerda e pelos poetas Heitor Ferraz Mello e Sérgio Alcides.

740 livros avaliados
Pelo regulamento, podiam concorrer ao Oceanos 2016 livros em língua portuguesa (nos gêneros Poesia, Romance, Conto, Crônica e Dramaturgia) publicados em primeira edição no Brasil em 2015.

Nos demais países lusófonos, podiam concorrer livros lançados originalmente entre 2012 e 2015 e publicados no ano passado por editora brasileira ou sediada no Brasil.

Antigo Portugal Telecom
Até 2014, o Oceanos se chamava Portugal Telecom. Mas, depois que a empresa foi vendida para uma operadora francesa, o Itaú Cultural assumiu a organização e mudou o nome para Oceanos, que teve sua primeira edição no ano passado.

Além disso, a partir de 2015 não houve mais divisão em categorias. Criado em 2003, o Portugal Telecom se dividia nas categorias Romance, Poesia e Conto/Crônica.

No ano passado, o Oceanos foi vencido por Silviano Santiago, com o romance "Mil rosas roubadas" (Companhia das Letras). O segundo lugar ficou com Elvira Vigna, pelo livro "Por escrito" (Companhia das Letras). Depois, vieram Alberto Mussa, com "A primeira história do mundo" (Record), e Glauco Mattoso, com "Saccola de feira" (NVersos).

Veja, abaixo, os ganhadores do prêmio Oceanos 2016:
1º lugar: "Galveias" (Companhia das Letras), de José Luís Peixoto
2º lugar: "A resistência" (Companhia das Letras), de Julián Fuks
3º lugar: "O livro das semelhanças" (Companhia das Letras), de Ana Martins Marques
4º lugar: "Maracanazo e outras histórias" (Alfaguara), de Arthur Dapieve

Veja, abaixo, os demais finalistas do prêmio Oceanos 2016:
"Ainda estou aqui" (Alfaguara), de Marcelo Rubens Paiva
"Escuta" (Companhia das Letras), de Eucanaã Ferraz
"Jeito de matar lagartas" (Companhia das Letras), de Antonio Carlos Viana
"Manual de flutuação para amadores" (7Letras), de Marcos Siscar
"Sermões" (Iluminuras), de Nuno Ramos
"Uma menina está perdida no seu século à procura do pai" (Companhia das Letras), de Gonçalo M. Tavares


Imagens da Vez: Telas de Marie-Claire Houmeau

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Chapecoense é Declarada a Campeã da Copa Sul Americana 2016

A Conmebol declarou, na tarde desta segunda-feira (05), a Chapecoense campeã da Copa Sul-Americana de 2016. O time catarinense disputaria a final do torneio continental com o Atlético Nacional, da Colômbia, mas o acidente aéreo da última terça impediu a realização do confronto. 

Em decorrência do título, a Chape conquista vaga na fase de grupos da Libertadores de 2017 e arrecada prêmio de 2 milhões de dólares (aproximadamente R$ 7 mi). Também se classifica para a disputa da próxima Recopa Sul-Americana, na qual enfrentará justamente o Atlético Nacional, totalizando mais US$ 2,8 milhões garantidos (quase R$ 10 milhões).

::: Tabela à partir das Quartas de Final :::
 
Parabéns ao Atlético Nacional por ter abdicado do título em
 homenagem à Associação CHAPECOENSE de Futebol.
Esta atitude ficará eternizada na memória de muitas pessoas.

Frase para a Semana

"A arte existe porque 
a vida não basta."
Ferreira Gullar
(São Luís, 10 de setembro de 1930 – Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2016)
Foi um escritor, poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, e ensaísta brasileiro
e um dos fundadores do neoconcretismo.

sábado, 3 de dezembro de 2016

5 Links - # 208 >>>

Cabra da Peste - Patativa do Assaré


Uma Homenagem a Antônio Gonçalves da Silva (Patativa do Assaré) 
 Vídeo Feito em Animação Flash, por "Arte no Mouse"

CABRA da PESTE 
 Patativa do Assaré

Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas nunca esmorece, procura vencê,
Da terra adorada, que a bela cabôca
Com riso na bôca zomba no sofrê.

Não nego meu sangue, não nego meu nome,
Olho para fome e pergunto: o que há?
Eu sou brasilêro fio do Nordeste,
Sou Cabra da Peste, sou do Ceará.

Tem muita beleza minha boa terra,
Derne o vale à serra, da serra ao sertão.
Por ela eu me acabo, dou a prope vida,
É terra querida do meu coração.

Meu berço adorado tem bravo vaquêro
E tem jangadêro que domina o má.
Eu sou brasilêro fio do Nordeste,
Sou Cabra da Peste fio do Ceará.

Ceará valente que foi muito franco
Ao guerrêro branco Soares Moreno,
Terra estremecida, terra predileta
Do grande poeta Juvená Galeno.

Sou dos verde mare da cô da esperança,
Qui as água balança pra lá e pra cá.
Eu sou brasilêro fio do Nordeste,
Sou Cabra da Peste, sou do Ceará.

Ninguém me desmente, pois, é com certeza
Quem qué vê beleza vem ao Cariri,
Minha terra amada pissui mais ainda,
A muié mais linda que tem o Brasi.

Terra da jandaia, berço de Iracema,
Dona do poema de Zé de Alencá
Eu sou brasilêro fio do Nordeste,
Sou Cabra da Peste, sou do Ceará.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Poesia a Qualquer Hora (274) - Pablo Neruda

Talvez

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos…
E por amor
Serei… Serás… Seremos…

Pablo Neruda
[ Saiba + ]
(Tradução do poema: Carlos Nejar)
(Dedico este poema à minha esposa, que faz aniversário amanhã.)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A Estrada

A Estrada
(The Road)

Cormac McCarthy

Editora Alfaguara
234 páginas

Tradução: Adriana Lisboa


“McCarthy dá voz ao indizível (...) 
essa é uma arte que assusta e 
ao mesmo tempo inspira"
 The New York Times 


Livro vencedor do Prêmio Pulitzer de 2007



Um filho e um pai se unem e andam juntos, num mundo pós-apocalíptico, onde tudo está destruído. Tudo foi devastado, as cidades estão em ruínas, as florestas viraram cinzas e o céu está escuro por causa da fuligem. Eles não possuem nada, mas não desistem de caminhar, os dois solitários vão por uma estrada e rumam em direção à costa, pois o pai acha que a única chance de sobrevivência é irem até lá, sem saber o que encontrarão quando chegarem lá. Mas só resta esta esperança. Fugindo do forte frio, eles empurram um carrinho de supermercado com alguns cobertores velhos e sujos, um pouco de alimento e um revólver para se defenderem de pessoas violentas que andam em bandos pelos caminhos desolados. 

Mais que um relato apocalíptico, é interessante e comovente a profunda relação do pai com seu filho. ‘ Cada um o mundo inteiro do outro.’ É uma bela história, emocionante.

Espetacular e original a prosa de Cormac McCarthy; O livro não possui capítulos, mas é dividido em pequenos parágrafos, onde a história flui muito bem e prazerosa.

Muito bom o livro. Surpreendentemente triste, perturbador e angustiante.

O livro foi adaptado para o cinema em 2009, com direção de John Hillcoat e com Viggo Mortensen, Guy Pearce, Kodi Smit-McPhee, Charlize Theron e Robert Duvall no elenco. 

Filme completo:

Trechos: 
- “Beba um pouco.
Ele pegou a lata, bebeu e a devolveu. Você bebe, ele disse. Vamos ficar sentados aqui.
E porque eu nunca mais vou poder beber outra, não é?
Nunca mais é muito tempo.
Tudo bem, o menino disse.” – pag. 24

- “Para sempre é muito tempo.
Mas o menino sabia o que sabia. Que para sempre não é tempo algum.” – págs. 27 e 28

- “Ficaram de pé junto à margem mais afastada de um rio e chamaram-no.
Deuses esfarrapados caminhando recurvados em seus trapos pela desolação. Andando pelo solo seco de um mar mineral onde este jazia rachado e partido como um prato que tivesse caído no chão. Trilhas de fogo feroz na areia coagulada. Os vultos indistintos à distância. Ele acordou e ficou ali deitado na
escuridão.” – pag. 47

- “Rumaram para leste em meio às árvores mortas, ainda de pé. Passaram por uma velha casa de estrutura de madeira e cruzaram uma estrada de terra. Um pedaço de terreno limpo talvez outrora um jardim. Parando de tempos em tempos para tentar escutar. O sol invisível não projetava sombras. Eles chegaram à estrada inesperadamente e ele parou o menino com uma das mãos e eles se agacharam na vala da beira da estrada como leprosos e se puseram a escutar.
Nenhum vento. Silêncio absoluto. Depois de algum tempo ele se levantou e caminhou até a estrada. Olhou para o menino lá atrás. Venha, ele disse. O menino se aproximou e o homem apontou para as marcas nas cinzas por onde o caminhão tinha passado. O menino ficou de pé embrulhado no cobertor olhando para o chão.” – pag. 60

- “Os dias iam passando sem ser contados ou marcados em calendário. Pela rodovia interestadual à distância longas filas de carros carbonizados e enferrujados. Aros nus das rodas caídos numa espécie de lama dura e cinzenta de borracha derretida, em anéis enegrecidos de metal. Os cadáveres incinerados reduzidos ao tamanho de crianças e apoiados nas molas expostas dos assentos. Dez mil sonhos sepultados dentro de seus corações queimados. Seguiram em frente. Caminhando no mundo dos mortos como ratos numa esteira. As noites de um silêncio mortal e de uma escuridão ainda mais mortal. Tão frias. Mal conversavam. Ele tossia o tempo todo e o menino o observava cuspir sangue.
Seguindo em frente cada vez pior. Imundos, esfarrapados, sem esperanças. Ele parava e se apoiava no carrinho e o menino seguia em frente e então parava e olhava para trás, erguia os olhos cheios de lágrimas para vê-lo parado ali na estrada, fitando-o de algum futuro inimaginável, luzindo na desolação como um tabernáculo.” – pag. 223

O autor:
Cormac McCarthy nasceu em Rhode Island, em 20 de julho de 1933. É um escritor norte-americano. Na juventude serviu na Força Aérea dos Estados Unidos durante quatro anos, e estudou Artes na Universidade do Tennessee. É vencedor do National Book Award, do National Book Critics Circle Award e do Prêmio Pulitzer de Ficção 2007.
Em 40 anos de carreira literária, produziu nove romances, entre eles “Todos os Belos Cavalos”, “A Travessia”, “Meridiano de Sangue” e “Cidade das Planícies” e “Onde os Velhos Não Têm Vez”, este último foi lançado nos Estados Unidos em 2005, e depois adaptado para o cinema pelos irmãos Joel e Ethan Coen, em seu filme “Onde os Fracos Não Tem Vez”, lançado em 2007 e vencedor do prêmio Oscar de melhor filme, em 2008. Avesso a entrevistas, Cormac McCarthy gosta de manter sua privacidade.

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