"Uma vaga noção de tudo, e um conhecimento de nada."
Charles Dickens (1812 - 1870) - Escritor Inglês

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Poesia a Qualquer Hora (331) - John Donne

Morte, Não te Orgulhes

Morte, não te orgulhes, 
embora alguns te provem Poderosa,
 temível, pois não és assim. 

Pobre morte: não poderás matar-me a mim, 
E os que presumes que derrubaste, não morrem.

 Se tuas imagens, sono e repouso, nos podem dar prazer, 
quem sabe mais nos darás? 

Enfim, descansar corpos, liberar almas, é ruim? 
Por isso, cedo os melhores homens te escolhem.

 És escrava do fado, de reis, do suicida; 
Com guerras, veneno, doença hás de conviver;

 Ópios e mágicas também têm teu poder de fazer dormir.
 E te inflas envaidecida? 

Após curto sono, acorda eterno o que jaz,
 E a morte já não é; 
morte, tu morrerás.

John Donne

sábado, 13 de junho de 2020

Trilha Sonora (333) - Little Richard

Keep A Knockin'
Little Richard

Keep a knockin´ , but you can´t come in.
Keep a knockin´ , but you can´t come in.
Keep a knockin´ , but you can´t come in,
come back tomorrow night and try again.

You said you love me, but you can´t come in.
You said you love me, but you can´t come in.
You said you love me, but you can´t come in,
come back tomorrow night and try again.


segunda-feira, 8 de junho de 2020

Frase da Vez

"A função da educação é ensinar
 a pessoa a pensar intensamente
 e a pensar criticamente. 
Inteligência mais caráter -
 esse é o objetivo da 
verdadeira educação."

Martin Luther King Jr.
(Atlanta, 15 de janeiro de 1929 — Memphis, 4 de abril de 1968) 
Foi um pastor protestante batista e ativista político estadunidense que se tornou 
a figura mais proeminente e líder do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos
de 1955 até seu assassinato em 1968. King é amplamente conhecido pela luta
dos direitos políticos através da não-violência e desobediência civil, inspirado
por suas crenças cristãs e o ativismo não-violento de Mahatma Gandhi.

sábado, 23 de maio de 2020

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Trilha Sonora (332) - Milton Nascimento

Travessia
Milton Nascimento
Compositores: Milton Nascimento e Fernando Brant


Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
Forte eu sou, mas não tem jeito
Hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho pra falar

Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedra, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar

Vou seguindo pela vida me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte, tenho muito o que viver
Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver

Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedra, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar

Vou seguindo pela vida me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte, tenho muito o que viver
Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Poesia a Qualquer Hora (330) - Charles Baudelaire

Sempre a mesma 

"De onde vens, disseste, essa tristeza estranha,
subindo como o mar a rocha negra e nua?"
– Quando nosso coração fez uma vez sua colheita,
Viver é um mal! É um segredo que todos conhecem,

Uma dor muito simples e não misteriosa
E, como sua alegria, brilha para todos.
Pare de procurar, ó bela curiosa!
E, embora tua voz seja suave, cala-te!

Cala-te, ignorante! Alma sempre feliz!
Boca de riso infantil! Mais que a Vida,
A Morte nos prende por laços sutis.

Deixa, deixa meu coração se embebedar com uma mentira,
Mergulhar em seus belos olhos como em um lindo sonho,
E dormir longamente à sombra de teus cílios!

Charles Baudeleire

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Torto Arado de Itamar Vieira Júnior

Torto Arado 

Itamar Vieira Jr. 

264 páginas - 2018 


Editora: Todavia 


“Uma viagem intimista ao mundo rural brasileiro” – Silvia Souto Cunha, Visão 

“Um dos grandes romances do ano, que recupera um tema esquecido e grandioso.” – João Céu e Silva, Diário de Notícias 

“- Belo, poderoso e comovente, apresenta-nos a grande literatura com uma simplicidade que atormenta.” – Ana Bárbara Pedrosa, Revista Pessoa 
[contracapa do livro] 

Faz tempo que não lia um romance regional tão bom e realista. Torto Arado de Itamar Vieira Jr, já nasceu clássico. Este belo enredo se passa no interior da Bahia. É a história das irmãs Bibiana e Belonísia. As duas são filhas de Zeca Chapéu Grande e Salu. Zeca Chapéu Grande era curandeiro de corpo e alma dos doentes da região, e às vezes se fazia de líder político e apaziguava conflitos entre os trabalhadores rurais de fazendas da região. Fazendas estas que os trabalhadores (escravos) não tinham direito a nada, não recebiam salário, apenas moradia (só podiam construir casebres de barro e junco, não podiam fazer de alvenaria), e cultivavam roças em seus quintais quando não estavam trabalhando nas colheitas de arroz e cana de açúcar dos seus patrões. Só ganhavam algum dinheiro quando vendiam os cultivos de seus quintais na feira da cidade. 

“Um romance que retrata – com extrema habilidade narrativa – um Brasil dolorosamente encalhado no próprio passado escravista. Um texto épico e lírico, realista e mágico.” 

O livro é dividido em 3 capítulos: Fio de Corte, Torto Arado e Rio de Sangue. O primeiro é narrado por Bibiana, o segundo por Belonísia e o terceiro por uma entidade do jarê, religião afro-brasileira praticada na região de Água Negra, influenciada pela umbanda, pelo espiritismo e pelo catolicismo. 

O livro começa com a narração de Bibiana sobre um acidente na infância das duas irmãs, e que por causa deste acidente para sempre suas vidas estarão ligadas, sendo que uma precisa ser a voz da outra. Este é o mote para o enredo do livro, onde o leitor também encontrará uma representação de um povo sofrido em seus laços familiares e sociais, os traumas e a memória deste povo, que em nenhum momento foi liberto da escravidão. 

A obra é uma viagem ao sertão nordestino, onde descendentes de escravos ainda vivem em situações análogas à Escravidão, que foi abolida há mais de 120 anos. O autor tem uma prosa portentosa, rigorosa e melodiosa, não se perdendo em nenhum momento. 

Excelente livro. Recomendo esta obra prima! 

O livro foi vencedor do Prêmio LeYa 2018 

Trechos: 
“- Quando Donana levantou a cortina que separava o cômodo em que dormia da cozinha, eu já havia retirada a faca do chão e embrulhado de qualquer jeito no tecido empapado , mas não consegui empurrar de volta a mala de couro para debaixo da cama. Vi o olhar assombrado da minha avó, que desabou sua mão grossa na minha cabeça e na de Belonísia. Ouvi Donana perguntar o que estávamos fazendo ali , porque sua mala estava fora do lugar e que sangue era aquele. ‘Falem’, disse nos ameaçando arrancar a língua, que estava, mal ela sabia, em uma de nossas mãos.” – pág. 16 

“-. Foi um tempo difícil. Meu pai se referia àquele período como a pior seca desde 1932. Aquele também foi o último ano que vi uma plantação extensa de arroz naquelas terras. O arroz, dependente de água, foi o primeiro a secar com a estiagem. Depois secaram a cana, as vagens de feijão, os umbuzeiros, os pés de tomates, quiabo e abóbora. Havia uma reserva de grãos guardada em casa e no galpão da fazenda. Com a seca, veio o medo de que nos mandassem embora por falta de trabalho. Depois veio o medo mais imediato da fome. Os grãos passaram a rarear, o feijão acabou antes do arroz, e do arroz restava muito pouco. Havia um razoável suprimento de farinha de mandioca que algumas famílias fabricavam e trocavam por outros alimentos.” - págs.: 67 e 68 

“- Pensava que seria melhor se tivesse morrido no dia em que saí de casa. Que poderia ter despencado do cavalo e me estrebuchado no chão sem forças, porque aquela altura minha lamentação não servia de nada. Sabia que, mesmo depois de muitos anos, carregaria aquela vergonha por ter sido ingênua, por ter me deixado encantar por suas cortesias, lábia que não era diferente da de muitos homens que levavam mulheres da casa de seus pais para lhes servirem de escravas. Para depois infernizarem seus dias, baterem até tirar sangue ou a vida, deixando rastro de ódio em seus corpos. Para reclamarem da comida, da limpeza, dos filhos mal criados, do tempo, da casa de paredes que se desfaziam. Para nos apresentarem ao inferno que pode ser a vida de uma mulher”. - págs: 135 e 136 

“- O diamante se tornou um enorme feitiço, maldito, porque tudo que é bonito carrega em si a maldição. Vi homens fazerem tratos de sangue, cortando sua carne com os punhais afiados, marcando suas mãos, suas frontes, suas casas, seus objetos de trabalho, suas peneiras de cascalhos e bateias. Vi homens enlouquecerem sem dormir, varando noite e dia no rio Serrano, nas serras, nos garimpos, entocados na escuridão para ver o brilho mudar de lugar. O diamante tem feitiço e no breu podemos ver seu reflexo, de fazer cegar uma coruja, quando anda de um lugar para outro, como um espírito saindo de uma serra, cruzando o céu e descendo num monte ou num rio, na forma de uma luz que chamava a atenção mesmo distante. Os homens enlouqueciam assim, esperando o amanhecer e abrindo fendas no chão onde achavam ter visto a luz entrar, para não encontrar nada. Enlouqueciam sem comer ou tomar banho. Morriam dentro dos buracos ou de tentar apanhar as pedras das mãos dos que haviam encontrado. Morriam de fome porque toda energia de seus corpos ementes era para apanhar o diamante.” – págs.: 203 e 204 

O Autor: 
Itamar Vieira Júnior nasceu em Salvador (BA), em 1979. É geografo e doutor em estudos étnicos e africanos pela UFBA. Publicou os livros de contos “Dias” e “A Oração do Carrasco” (finalista do Prêmio Jabuti),além de outros textos ficcionais em diversas publicações nacionais e estrangeiras.

Fica a dica!

segunda-feira, 4 de maio de 2020

sábado, 25 de abril de 2020

Trilha Sonora (331) - Bob Dylan

Like a Rolling Stone
Bob Dylan
Once upon a time you dressed so fine
Threw the bums a dime in your prime,
didn't you?
People call say:
'beware doll, you're bound to fall'
You thought they were all
kidding you
You used to laugh about
Everybody that was hanging out
Now you don't talk so loud
Now you don't seem so proud
About having to be scrounging your next meal

How does it feel,
how does it feel?
To be without a home,
Like a complete unknown,
like a rolling stone

Ahh you've gone to the finest schools,
alright Miss Lonely
But you know you only used to
get juiced in it
Nobody's ever taught you how to
live out on the street
And now you're gonna have to get used to it
You say you never compromise
With the mystery tramp,
but now you realize
He's not selling any alibis
As you stare into the vacuum of his eyes
And say 'do you want to make a deal?'

How does it feel,
how does it feel?
To be on your own,
with no direction home
A complete unknown,
like a rolling stone

Ah you never turned around to see
the frowns on the jugglers and the clowns
when they all did tricks for you
You never understood that it ain't no good
You shouldn't let other people
get your kicks for you
You used to ride on a chrome horse
with your diplomat
Who carried on his shoulder a Siamese cat
Ain't it hard when you discovered that
He really wasn't where it's at
After he took from you
everything he could steal

How does it feel,
how does it feel?
To have on your own,
with no direction home
Like a complete unknown,
like a rolling stone

Ahh princess on a steeple
and all the pretty people
They're all drinking,
thinking that they've got it made
Exchanging all precious gifts
But you better take your diamond ring,
you better pawn it babe
You used to be so amused
At Napoleon in rags
and the language that he used
Go to him, he calls you,
you can't refuse
When you ain't got nothing,
you got nothing to lose
You're invisible now,
you've got no secrets to conceal

How does it feel,
ah how does it feel?
To be on your own,
with no direction home
Like a complete unknown,
like a rolling stone

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Imagens da Vez: Vencedores do 17º Concurso de Fotografia da Smithsonian Magazine

A foto vencedora do Grande Prêmio de Fotografia da 
Smithsonian Magazine, ficou com Jon Enoch 
que foi finalista da categoria 'Travel'.


A foto de Matt Gillespie (EUA), ganhou o prêmio na categoria 
'Reader´s Choice', que foi finalista da categoria 'The American Experience'.


Veja abaixo os vencedores em cada categoria:

Grand Prize
Foto de Jon Enoch do Reino Unido

Reader´s Choice
Foto de Matt Gillespie dos Estados Unidos

Natural World
Foto de Conor Ryan do Reino Unido

Travel
Foto de Natnattcha Chaturapitamorn da Tailândia

The American Experience
Foto de Terrell Groggins dos Estados Unidos

People
Foto de Yan G-Jun Malasia

Altered Images
Foto de Dasha Pears da Finlândia


Mobile
Foto de de Victoria Gorelchenko da Rússia

(º> Veja mais: Smithsonian Magazine >>>

quinta-feira, 12 de março de 2020

Palíndromos

Palíndromos são palavras ou frases que podem ser lidas da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda. Podemos dizer que o palíndromo, comparado à frase comum, é como um bilhete de ida-e-volta. "Ana", por exemplo, é um nome palindrômico.

O vocábulo "palíndromo" é de origem grega, sendo formado pelos elementos "palin" (novo), mais "dromo"(percurso, circuito). Palíndromos também podem ser chamados de anacíclicos, ou seja, que voltam em sentido inverso, que refazem inversamente o ciclo.

O palíndromo configura-se em uma das muitas maneiras de se interagir com a palavra e estaria presente inclusive nas Sagradas Escrituras, quando Adão teria dito sua primeira frase à Eva: "MADAM, I'M ADAM" ("Senhora, eu sou Adão").

Um dos palíndromos mais antigos e conhecidos está em latim: "SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS" (O lavrador diligente conhece a rota do arado"). Este é considerado um palíndromo perfeito, pois pode ser lido em qualquer direção, inclusive de cima para baixo ou de baixo para cima. Observe:

S A T O R

A R E P O

T E N E T

O P E R A

R O T A S




O “quadrado mágico”, 
também conhecido 
como “quadrado sator”, 
é o palíndromo perfeito
mais conhecido. 

Ele pode ser lido
em várias direções.








Outro quadrado perfeito:












O maior palíndromo que se conhece é a palavra finlandesa "SAIPPUAKIVIKAUPPIAS", de dezenove caracteres, que significa "vendedor de soda cáustica". Já a palavra palindrômica mais extensa do nosso idioma é o superlativo de omisso, OMISSÍSSIMO.

Na construção de sentenças, versos e frases o exemplo tido como mais antigo do Brasil é: "ROMA ME TEM AMOR". Depois deste, surgiram vários outros, dentre eles o conhecido: "SOCORRAM-ME, SUBI NO ÔNIBUS EM MARROCOS".

Outros dois palíndromos que chamam a atenção pela extensão, são:
 "ME VÊ SE A PANELA DA MOÇA É DE AÇO MADALENA PAES, E VEM" e 

"LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: 
ANIL É COR AZUL".

Outros palíndromos:

Palavras
aérea
afã
aia
ala
ama
anilina
ata
arara
asa
ele
esse
erre
mamam
matam
metem
mirim
oco
osso
ovo
radar
raiar
ralar
rapar
rasar
reger
reler
reter
rever
reviver
rodador
rir
sacas
saias
salas
socos
sopapos
sós

Frases
Ame o poema
Soa como caos

A sua pauta, tua pá usa

Amora me tem aroma

O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro

O teu drama é amar dueto

Saúda e paga o ágape a duas

Raul ama Luar, Luar ama Raul

Marujos só juram
A pateta ama até tapa

Amada dádiva, a luz azula a vida da dama

A diva ávida, dádiva à vida

A miss é péssima!

A cara rajada da jararaca!
Ama fama? Vê lá, leva má fama!

Leon ama Noel, Noel ama Leon

Livre do poder vil

O terrível é ele vir reto!

Roda esse corpo, processe a dor

Sem o dote, é todo mês

O medo do certo é o treco do demo

Acata o danado e o danado ataca

A grama é amarga

E assim a missa é

Assim, a aluna anula a missa

Assim, a sopa só mereceremos após a missa

Oto come sopa, siri, sapos e mocotó

A babá baba

A rara arara

Eva, asse essa ave!

Ave veloz o leve. Vá!

E vou ao Batata Boa, ouve?

Zé de Lima, Rua Laura, Mil e Dez

A sacada da casa

A porta rangia à ignara tropa

A mala nada na lama

Asnos levam a amável sonsa

Salta o Atlas

Lá tem metal

Ias em missa? Logo, o gol assim me sai

O caso da droga da gorda do saco

O pó de cocaína mata maníaco cedo, pô!

Lá vou eu em meu eu oval

A base do teto desaba

A Daniela ama a lei? Nada!

A diva em Argel alegra-me a vida

Ajudem Edu, já!

A lupa pula

Anotaram a data da maratona

A Rita, sobre vovô, versos atira.

Ato idiota

A torre da derrota

Irene ri
Luz azul

Mega bobagem.

O galo ama o lago

Saíram o tio e oito Marias

Seco de raiva, coloco no colo caviar e doces

O lobo ama o bolo

Ótimo, só eu, que os omito

Oto come mocotó

O teu dueto

Rir, o breve verbo rir.

Nomes
Ada
Ana
Hanah
Nahan
Natan
Oto
Reinier
Renner


Aibofobia é um palíndromo.
Sabe o que significa? É o medo de palíndromos.

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