"Uma vaga noção de tudo, e um conhecimento de nada."
Charles Dickens (1812 - 1870) - Escritor Inglês

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Poesia a Qualquer Hora (114) - García Lorca

Ar de Noturno


Tenho muito medo 
das folhas mortas, 
medo dos prados 
cheios de orvalho. 
eu vou dormir; 
se não me despertas, 
deixarei a teu lado meu coração frio.

O que é isso que soa 
bem longe ? 
Amor. O vento nas vidraças, 
amor meu !

Pus em ti colares 
com gemas de aurora. 
Por que me abandonas 
neste caminho ? 
Se vais muito longe, 
meu pássaro chora 
e a verde vinha 
não dará seu vinho.

O que é isso que soa 
bem longe ? 
Amor. O vento nas vidraças, 
amor meu !

Nunca saberás, 
esfinge de neve, 
o muito que eu 
haveria de te querer 
essas madrugadas 
quando chove 
e no ramo seco 
se desfaz o ninho.

O que é isso que soa 
bem longe ? 
Amor. O vento nas vidraças, 
amor meu !


García Lorca
(Tradução do poema: William Agel de Melo)

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